quinta-feira, 21 de julho de 2011

Perdas INEVITÁVEIS... Como lidar com elas, se são inevitáveis?

Olá amigos!!!

Quem acompanha o blog, sabe da minha Mary, sabe que eu tinha a mais absoluta certeza de que eu a veria de novo, viva e sorridente, fora do hospital. Não foi o que aconteceu!!! Não achei justo!!! Mas quem sou eu? Uma pessoa única, como todas as outras, cheia de qualidades e defeitos e cheia de dúvidas...
Há muitos anos atrás, na faculdade de Pedagogia, uma professora, da disciplina de psicanálise, nos fez ler o livro: Perdas Necessárias, da autora Judith Viorst. O livro fala das perdas que vamos tendo ao longo da nossa vida e o quanto elas são necessárias para nosso crescimento. Algumas perdas, além de necessárias, são inevitáveis, assim como os processos de luto pelos quais passamos.
A morte é uma perda inevitável, mas também necessária, pois, queiramos ou não, a morte faz parte da vida. Embora gostemos de pensar que a morte faz parte da vida só quando acontece com pessoas de bastante idade, isso não é realidade. Viver é um risco, logo, estamos nos arriscando todos os dias. Mesmo sabendo disso, cada perda, principalmente a que é causada pela morte, é encarada por cada pessoa, a partir de suas experiências, expectativas, crenças, etc. Cada um encara cada morte de uma maneira diferente...
A morte da minha Mary foi pra mim um choque. Ela era linda, elegante, alegre, feliz, parceira, faceira, enfim, nem tenho palavras. Quando ela chegava, o ambiente ficava mais leve e eu ficava, com certeza, mais feliz. Eu tive o privilégio de estar com ela na passagem de ano muitas vezes, de 2010 para 2011, também. Era incrível, como quando ela estava junto, tudo ficava mais divertido. Minha avó, que é uma pessoa difícil, e tinha ciúmes da amizade da Mary com a minha mãe, fazia cara feia pra ela. Eu ficava com vergonha, pedia desculpa e ela dizia: "Daniela!!! Ela é velha, tu tem que entender, Daniela!! Eu nem tô!!" E sacudia os ombros. Kkkkkk!!! A Mary era mesmo única!!! Parece que eu a enxergo fazendo e dizendo essas coisas!!! É incrível!!!
Eu poderia passar horas escrevendo, explicando porque eu gostava tanto da Mary, mas acho que vou cansar quem estiver lendo, portanto, só preciso dizer que está sendo realmente  muito difícil de encarar essa, mas eu acredito que seja uma bela ou baita lição de vida. 
Há 4 anos atrás, eu perdi o meu pai de coração, o nome dele era Otto, e ele era apaixonado pela Mary, e ela por ele. Quando ele faleceu, eu perdi meu chão, minha segurança, minha estabilidade, meu maior e mais declarado fã. Ele e a Mary eram meus fãs mesmo, e eu deles (óbvio!!!), nos admirávamos mutuamente. Nada que alguém fizesse ou dissesse ia abalar isso, como nunca abalou. Quando ele faleceu, ela, que esteve conosco durante um ano e meio, tempo que durou sua doença - linfoma, me disse que era "bola pra frente", que ele tinha parado de sofrer, que em vida ele só trabalhava, e agora ia descansar em paz. Me disse que era importante rezar por ele e ficar alegre, porque ele não iria querer me ver triste. Eu sabia que era verdade, além disso, eu confiava muito na opinião da Mary, ela conhecia bem o meu paidrasto e a minha vida.
Foi com esse pensamento, e vivendo um dia de cada vez, que eu pude continuar a caminhada... Claro que com muita saudade, mas sempre buscando ser feliz, ser melhor como pessoa, como profissional, como mulher independente... As coisas que meu paidrasto esperava de mim, e que faziam a Mary me admirar. 
Com o tempo, a gente vai vendo que as pessoas que vão morrendo deixam de existir em carne e osso, mas as que fizeram diferença mesmo, acabam deixando suas marcas em nós e isso faz com que elas nos acompanhem por toda a vida. São pensamentos, aprendizados e lembranças que ninguém nos tira, nem a morte!!!
A experiência de uma enorme perda eu já tinha, ou melhor, duas enormes perdas: meu avô materno e meu paidrasto, mas o vô curtiu a vida e se foi com 84 anos, sem sofrimento. Meu paidrasto sofreu e definhou durante dezoito inacabáveis meses.
Antigamente, se alguém me perguntasse se eu preferia uma morte rápida ou lenta, eu ficaria em  dúvida. Hoje eu responderia com toda a certeza: rápida. Eu vi o meu paidrasto pedir para morrer e, mesmo assim, meu egoísmo foi maior e eu rezei para ele viver. Hoje eu penso diferente, penso que se for para a pessoa nos deixar, que ela sofra o mínimo possível. E nós?! A gente aguenta. Temos saúde e temos sempre a quem recorrer, com quem relembrar, quem nos dê um colo...
Diante de tudo, eu só posso dizer: Mary!!! Vai em paz, muita luz e sabedoria pra ti!!! 
E eu? Eu vou seguir os conselhos que a Mary me deu quando o meu paidrasto se foi. Além disso, sei que tenho muito dela em mim e terei para sempre... Estarei aqui para pedir colo, espernear, chorar sozinha, dar colo, ser parceira, conselheira, etc. e escrever aqui nesse blog, que tem sido para mim um espaço terapêutico muito bom. Espero estar fazendo alguma diferença para quem "perde" seu tempo, lendo o que eu escrevo.

Boa noite!! Beijos!!!

P.S. Fico devendo um texto sobre outras perdas, sejam elas inevitáveis ou necessárias, ou inevitáveis e necessárias!!!


3 comentários:

  1. Perder alguém dói uito mesmo Dani... ainda dói a saudade do meu pai e fazem quase 8 anos... (ele tinha 49!) foi dificil... mas como tu disse.. "bola pra frente!"

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  2. Aí guria chorei , lembrei dele( ele gostava de mim ) eu sei sempre demonstrou, apesar de muitas vezes passarmos tanto tempo sem ver alguem, o amor a admiraçao nunca acaba..... saudades de voces bjojo

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  3. Vocês são duas fofas, emotivas, que nem eu, #AMO

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